Sociedade Vencedora Portimonense
Em 2026, o Arquivo Municipal dará destaque mensal às associações e clubes que se afirmaram como instituições de referência na dinamização de atividades culturais, recreativas e desportivas, com impacto significativo na comunidade e na identidade local. No mês de janeiro destaca-se a Sociedade Vencedora Portimonense, como um dos testemunhos da memória associativa e cultural de Portimão. Fundada em 1 de novembro de 1924, a Sociedade Vencedora Portimonense afirma-se como uma das mais antigas e relevantes coletividades da cidade, tendo como objetivo principal a promoção do convívio social, do recreio e da cultura entre os seus associados e a comunidade em geral. Desde cedo se assumiu como uma sociedade de carácter familiar, desempenhando um papel fundamental na divulgação da cultura local, na confraternização e na dinamização da vida associativa. Ao longo do século XX, desenvolveu uma intensa atividade cultural e recreativa, destacando-se a organização de bailes, celebrações carnavalescas, iniciativas de teatro amador, participação em marchas populares, festas dos Santos Populares, espetáculos de folclore nacional e internacional e eventos de carácter solidário. Foi igualmente um importante espaço de encontro e criação cultural, acolhendo grupos de teatro, atividades educativas e uma biblioteca com cerca de 750 obras, posteriormente doada à Junta de Freguesia de Portimão. Apesar das dificuldades enfrentadas em diferentes momentos do seu percurso histórico, nomeadamente crises financeiras e o envelhecimento da massa associativa, a Sociedade Vencedora Portimonense manteve-se como um espaço de sociabilidade e partilha, sendo reconhecida em 2001 com a Medalha de Mérito Municipal – grau ouro, pelos serviços prestados à comunidade ao longo de várias décadas.
Lançamento da primeira pedra da Escola Eng.º Nuno Mergulhão
Dando continuidade ao trabalho desenvolvido nos anos anteriores, Outras Memórias reúne a evocação de eventos marcantes ocorridos no concelho de Portimão, que contribuíram para a sua vida cultural, social e comunitária. Através da preservação e divulgação destes registos, o Arquivo Municipal de Portimão valoriza a memória local e promove o conhecimento do passado enquanto património e identidade comum. No mês de janeiro de 2026, é evocada a memória do engenheiro Nuno Mergulhão, presidente da Câmara Municipal de Portimão desde 1994, falecido a 29 de dezembro de 1999 em consequência de um acidente de viação que vitimou igualmente o seu motorista. Na data do acidente, deslocava-se a Lisboa para participar numa reunião de autarcas algarvios com o Ministro do Ambiente, com o objetivo de promover a adoção de medidas para a melhoria da qualidade de vida na região. Na sequência do seu falecimento, a Assembleia da República aprovou um voto de pesar, sublinhando o seu percurso autárquico. Pelo Despacho n.º 19410/2000, de 11 de setembro, o seu nome foi atribuído à Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Alto do Alfarrobal. A cerimónia de lançamento da primeira pedra da Escola Eng.º Nuno Mergulhão realizou-se a 17 de janeiro de 2000, no Alto do Alfarrobal, tendo sido objeto de reportagem fotográfica de Miguel Veterano, aqui divulgada, e contou com a presença do executivo municipal e de representantes do Ministério da Educação. A construção desta unidade escolar decorreu ao longo do ano de 2000, tendo a inauguração ocorrido a 13 de outubro do mesmo ano, com a presença do Ministro da Educação, Guilherme de Oliveira Martins.
Monumento ao Pescador
A arte no espaço público de Portimão é património comum e parte essencial da paisagem urbana e da memória coletiva. Em 2026, o Arquivo Municipal de Portimão dará destaque mensal a obras existentes no concelho, valorizando a escultura enquanto expressão artística integrada no território e no quotidiano urbano. No mês de janeiro, o destaque incide sobre o Monumento de Homenagem ao Pescador, da autoria do escultor João Cutileiro (1937-2021), implantado em Alvor. A intenção de erguer este monumento data de 1996, quando a Câmara Municipal de Portimão deliberou promover a sua construção em “homenagem à bravura e abnegação das gentes daquela Vila na sua faina marítima secular”. O monumento foi também entendido não apenas como elemento evocativo, mas também como como “ex-libris artístico de relevo e um referencial cultural do município”. A adjudicação da obra foi feita por ajuste direto a João Cutileiro, escultor de reconhecida projeção nacional e internacional, prevendo-se uma peça de grande escala, com execução aproximada de um ano e liberdade criativa plena . O monumento viria a ser inaugurado em 12 de dezembro de 2000, na Zona Ribeirinha de Alvor, após a sua requalificação, numa cerimónia presidida pelo Secretário de Estado da Administração Marítima e Portuária, Dr. José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Portimão, Dr. Manuel António da Luz da Luz, afirmando-se desde então como um marco identitário da arte pública no Concelho.